PRO SANTO!
“Repara:
Ermas de melodia e conceito
Elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
Rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.“
(Carlos Drummond de Andrade)
Enxerguei-a, riscando círculos com uma pedra vermelha, em uma das faixas de pedestre, mirando o semáforo. O sinal verde se acendia. Ela delineava círculos. Os carros passavam.
_Quer morrer?
Riu e correu. No breu foi até a outra esquina, ajoelhou-se e esboçou mais circunferências no asfalto.
Acendi um cigarro antes de engolir de uma vez a cachaça que o barbudo serviu. Voltei os olhos para a esquina e a Figura assustou-se com o sinal vermelho. Eu estava distante, mesmo assim pude ouvir sua voz de fome:
_ A verdade está de olhos famintos. Franziu a testa, mas ao iluminar da luz vermelha estarreceu-se e fugiu. Os carros buzinavam.
_ Sai!
A boemia comentou assim como eu, aos berros, que igualmente beberiam. Estiquei o pescoço e fracassei, não a vi. Sentia frio, aquele agasalho que conquistei no inverno passado estava aos trapos, meus sapatos velhos e cabelos gosmentos. O barbudo era plena desconfiança. Implorei a última dose como um político por voto. Ele botou menos do que uma dose, bateu o copo no balcão raspando em meu dedo indicador. Degustei vagarosamente exibindo minha boca umedecida para o barbudo. Olho por dente, quem me disse outra vez foi a Figura. No último gole fiz charme de gatuno, olhei as horas, levantei-me, penteei meus cabelos e abri a carteira. Joguei duas notas e dei as costas.
Caminhei para a esquina observando as faixas, categorizei os círculos vermelhos. Disfarcei cuspindo ao chão e pisei, foi o lembrete de meus sapatos podres, quando senti um dos meus pés umedecer. Forcei a memória, foi por esta rua que ela entrou. Instantaneamente girei meu tronco franzino. Nada. No relance avistei mais uma circunferência, pequena e fina, delicadamente toquei. Estava fresca porque dela ainda saía poeira, me enchi de alegria infantil pela possibilidade abrupta de reencontra-la. Como se visse pinga em encruzilhada balancei-me todo, enquanto a chama do cigarro clareava meus lábios na escuridão.
Em frente havia um motel e o luminoso falhava. Lia-se MO, depois TEL e no terceiro piscar do ciclo MOTE. Havia um menino sentado atrás, em um caixote, segurava uma sacola plástica. Levava até a boca e colava-se. O rastro do risco dava no motel. Cobri-me de lucidez colocando as mãos no bolso. Estufei o peito ao ouvir ranger a porta do motel. E de lá um senhor engravatado abriu sociável sorriso. Convidava citando preços, mas em meus bolsos apenas as mãos. Tentei perguntar o paradeiro da Figura. O intratável apontou as promoções da noite. O menino iniciou meu silêncio quando gargalhou. Percebi o dano que causaria a minha imagem racional. Neguei - me. Calei-me e imitei o menino. Aos passos pigarreei em direção a esquina seguinte. Quando foi a última vez que ela sorriu para mim. Estas lembranças. Isto sim era felicidade. Meu nome quem se lembra? A mim já basta. Sentado sentia felicidade de ganho no bicho acariciando a aguardente com a língua. Era assim que a Figura ria para mim. Em noite igual, sentado como aquele menino. Idêntico. Mas em meu estilo clássico. Ela de saía jeans e andar malicioso nas más línguas. Segurava como se fosse soltar ao chão aquela garrafa lacrada. Fitava-me insinuando a certeza.
_Dê-me um cigarro? Servi-a, calmo. Mas não disse uma frase, maldita! Estávamos no vale do Anhangabaú deitados bebendo e olhando o céu escuro. Ébrio momento de ágeis línguas. Depois de tudo, ela passeava os dedos em meu rosto gasto. Murmurava docemente:
_Meu único de graça!
A cada pisar a nostalgia ia de encontro aos círculos. Ela só podia ter se escondido lá. Clareava minhas idéias nuas. Sem pestanejar já estava com as luzes piscando sobre meu casaco. O engravatado não perdeu tempo comigo. Desisti. Não entendia os círculos, mas só podia ser ela. Não havia possibilidade de adentrar aquele motel sem notas, os seguranças me botariam pra fora às tapas. A angústia tomou-me conta. Mais três quarteirões eu chegava ao terminal Bandeira. Parado ofegava na fila do ônibus. Rapidamente se encheu. Pedi ao cobrador para passar por baixo. Autorizou-me como um ditador. Os olhos dos passageiros faziam minhas ações lentas. Envergonhado abaixei a cabeça e retirei os papéis. Falei, como um advogado pelo seu cliente: “Meus senhores e senhoras. Tenho três filhos e to desempregado. Pesso que mi ajude pelo amor de Jesus sagrado. O médico disse que minha bixiga não pode ter mijo. E tenho que toma rimédio caro. Não arrumo imprego. Me ajude pois quem divedi o pão, Jesus dá im drobo. Obrigado e desculpa o imcomodo. E o santo lhe acompanhe!”. Era exatamente o que estava escrito. Mas aqueles gestos e trajes tornavam-me cego, mudo, surdo e invisível para os passageiros. A velhinha do último banco reclamou do mau cheiro. O jovem gordo não esperou o papel chegar até ele. Levantou-se desabotoando o terno. Abriu a palma de minha mão em três notas gritando:
_ Irmãos! Deus disse para não julgarmos os outros! Para não oprimir os vagabundos e parasitas da sociedade! Não Julgarás para não ser julgado! Não ouvi o resto. Timidamente agradeci e dei o sinal para descer.
Em alguns metros da avenida nove de julho, um adolescente caído de bêbado. Vasculhei seus bolsos. Descobri três notas. Ele não obteve sucesso em reagir, andei apressado. Vi minha felicidade no letreiro, MOTE. O engravatado interrogou-me:
_ Quanto?
_Cinco notas.
_Só!
_ Como só? Não era isso?
_ Vai! Vai! Sobe e não me enche! No fim das escadas o néon, o balcão e mulheres nuas. Girei no centro do salão. Adentrei pelo corredor, três quartos. Gritei pela Figura. Arrombei a porta de um deles com o pé. Em um tempo curto, fui preso pelas costas e jogado escadas a baixo. O menino assoprou a sacola e gargalhou. Desesperadamente limpei-me das vergonhas resmungando. Num sopro saltei do chão. Fracassado, andando pelos becos. Um assombro me deu no caminho da praça da república, naquela rua famosa. A Barão. Um círculo mais forte e vermelho que os outros. Eu o tocava curioso. Quando escondido atrás do banco. Foi ali, a última vez que a vi. Grande Figura. Triste e vermelha Figura. Rodeada por cinco homens, sem pudor. Surravam. Espancavam. Em uma das faixas de pedestre.
Acordei. Levantei meu rosto que estava colado. O barbudo bateu o copo no balcão raspando em meu cotovelo, levantei-me bruscamente. Sem remorso, levantei o copo, joguei a metade da cachaça no chão e berrei:
_Pro Santo! A boêmia riu extasiada. Olhei as horas, levantei-me, penteei meus cabelos e abri a carteira. Joguei duas notas pro Barbudo e dei as costas.
Escrito por Alessandro às 12h03
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Ah, Ih.... Ohhhh. Esquece!
Não pise nas plantas. Não jogue lixo no chão. Saia pela porta que se encontra no seu lado esquerdo. Não fume. Velocidade máxima 40km/h. Faça silêncio. Respeite para ser respeitado. Quebrou, pagou. Segure no corrimão. Apague as luzes ao sair. Tome banhos curtos. Seja original. Me copie. Seja consciente. Não arrisque. Mantenha as crianças longe dos medicamentos. E os animais longe das crianças. Não transe sem camisinha. Respeite seus pais. Não fale palavrão. Fale bom dia. Não dê atenção a estranhos. Não coloque os cotovelos na mesa. Não beba com o mindinho levantado. Modere na cerveja. Em caso de dúvidas, chame o instrutor. Não coloque o dedo na tomada. Nada de pipa na laje. Mantenha-se no fluxo. Fila única. Cuidado no trânsito. Leia o manual de instruções. Releia o manual de instruções. Bata antes de entrar. Entre sem bater. Aguarde um momento. Lave as mãos antes de comer. Reze antes de dormir. Não durma. Prefira os homeopáticos. Respeite os assentos reservados nos trens. Nos ônibus. No metrô. Não dirija embriagado. Respeite os acentos das palavras. Vá ao dentista. Funde uma Ong. Coma verduras. Evite alimentos gordurosos. Vá à academia. Não ande descalço. Dê sopa aos mendigos. Não dê esmolas. Confie na polícia. Não use drogas. Use protetor solar. Compre um par de óculos escuros. Assista menos tv. Almoce devagar. Corra de manhã. Fique mais com seus filhos. Leia livros de auto-ajuda empresarial. Escale uma montanha. Plante uma árvore. Tenha um filho. Escreva um livro. Imite. Vá ao zoológico. Vá ao cinema. Pratique técnicas medicinais do oriente. Coma peixe. Cuide do seu hálito. Faça um plano de previdência privada. Ouça música clássica. Dance jazz. Faça sapateado. Vá ao teatro. Patrocine o espetáculo. Faça um check up. Converse com seus vizinhos.
Tome banho de plantas. Não pise no chão. Não jogue lixo no corrimão. Saia pela porta do silêncio. Não pague. Velocidade máxima na laje. Faça filhos. Respeite o mindinho levantado. Quebre os cotovelos na mesa. Segure na cerveja. Apague o instrutor. Seja reservado nos trens. No ônibus. No metrô. Me fale um palavrão. Seja homeopático. Não reze embriagado. Mantenha os livros de auto-ajuda empresarial na montanha. E os animais no trânsito. Não transe palavras. Respeite alimentos gordurosos. Não coloque a polícia na tv. Fale com a tomada. Dê atenção aos mendigos. Não coloque protetor solar antes de dormir. Não beba com seus vizinhos. Modere na academia. Em caso de dúvidas, chame as crianças. Não converse com um par de óculos escuros. Nada de manual de instruções. Mantenha-se descalço. Filas curtas. Cuidado com as luzes do oriente. Leia para ser respeitado. Releia o manual de instruções das crianças. Bata no zoológico e ouça o peixe. Antes de entrar, aguarde longe dos medicamentos. Entre ao sair. Confie o que se encontra no seu lado esquerdo às técnicas medicinais da música. Escreva um livro sem acentos. Dance nos assentos do cinema. Não durma sem camisinha. Imite uma privada clássica. Patrocine o jazz dos seus pais. Fume e corra a 40km/h de manhã. Lave a pipa devagar. Pratique sapateado com as mãos. Antes de comer verduras, escale uma árvore. Vá no fluxo do teatro. Respeite o plano dos estranhos. Dê esmolas ao dentista. Compre a previdência de uma Ong. Vá bater no original. Assista menos drogas. Respeite o filho consciente, mas evite o que não arrisque. Almoce espetáculo. Faça um check up na sopa, com o dedo. Fique mais um momento com seu hálito. Copie de longe. Cuide do coma. Leia, não dirija. Prefira o vá ao não vá. Plante, não dê. Funde... Ande na única... Não use seus... Use uma das... Faça um... Tenha um bom dia!
Escrito por Camila às 18h30
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Kassabices
Nas fachadas dos prédios comerciais foram reduzidos os anúncios. Num esforço pela restauração dos centros históricos, foi feita uma big operação de higienização. Não são vistos outdoors. Os publicitários “vagabundos” têm a pretensão de montar uma banquinha, virar camelô, sabe? Oriento que não seja no Largo 13 de Maio.
Em um país de soluções paliativas, esconder o problema, camuflar as disparidades através do embelezamento, é uma tática interessante. Não é necessário medir as conseqüências dos atos, o importante é que calçadas livres, fachadas livres e vistas livres, saltem aos olhos dos munícipes de hoje e eleitores de amanhã.
Sob os gritos liberados dos antes mudos e uniformizados feirantes, esperemos pelas novas “Kassabices” do prefeito de São Paulo.
Termino por aqui este pequeno texto, após um estafante dia chuvoso de outono. Usarei o tempo que me resta, deste sábado já perdido, para secar meus sapatos encharcados...
Escrito por Camila às 22h34
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“Venda de lotes no céu. Preços módicos!”
Dê-me uma moeda, preciso garantir minha salvação. Estou juntando uma graninha para conseguir adquirir o meu lote no céu. A cotação do dólar celestial anda alta e minha oferta no templo vai precisar aumentar, senão corro o risco de só conseguir comprar um apartamento no “Cingapura do Divino”.
Uns centavos aqui, outros ali. Vou contando níqueis, enquanto o pastor não anuncia que é a minha hora de levar a contribuição para as obras da “Cooperativa Habitacional do Senhor”. Ele ainda está pedindo auxílio àqueles que, com certeza, terão o privilégio de morar nos apês à “beira-mar do céu” ou na “cobertura”.
Dê-me mais uma moeda. Uma nota. Um cheque pré-datado. Empreste-me seu cartão de débito ou de crédito. Seja meu fiador. Pode-se optar por um boleto bancário. A igreja parcela o valor do lote. Prestações a perder de vista e vistas se perdendo no abismo do cabresto.
Ninguém percebe a segregação dentro do templo sagrado, que deveria ser aberto a todos. Empresários e proletariado não se misturam, têm interesses diferentes. São encaminhados, então, a reuniões diferentes.
Eu te escuto. Fale então! Que Deus nos salve desta corja de malandros engravatados. Da reprodutibilidade técnica de pastores, que têm tons de voz e sotaques idênticos. Não quero ser membro do “Show Business do Senhor”, nem fazer parte da conspiração contra o bom-senso.
Dê-me seu tíquete refeição! ... Agora não dá mais: Vendi o último que tinha para pagar mais uma prestação de meu boleto para um lote no céu.
Escrito por Camila às 00h14
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A clarividência do capital
Por Bruno Silva
Eu não tenho bola de cristal, não leio borra de café, nem prevejo futuro de forma alguma. Com o devido respeito aos que crêem, eu não acredito que um ser humano seja capaz de prever o futuro. Mas aconteceu, por incrível que pareça, essa semana. Investidores, de alguma forma, previram que a Petrobrás, junto com outras duas empresas do ramo petroquímico, compraria as ações da Ipiranga. Pois é, clarividência pura.
O movimento de papéis com informações privilegiadas é crime, pois desestabiliza a "ordem" do mercado financeiro, e retira-lhe boa parte da "credibilidade". Então, não suspeitemos das nobres almas dos investidores, que tiveram esse espasmo paranormal, e apenas fizeram o que deveriam fazer, em nome de seus patrimônios. Afinal, subir em um dia o que muitas ações não sobem em um ano é algo perfeitamente possível, do ponto de vista místico.
Agora vem uma tal de CVM, que ninguém nunca tinha ouvido falar, dizer que quer investigar supostas movimentações ilegais? Ora, que absurdo! É sabido que a classe mais honesta e transparente é a dos banqueiros e acionistas de grandes empresas. São eles que, legitimamente, mandam no mundo, com suas prósperas fortunas advindas do capital especulativo. Também são eles que, do alto de suas mansões e coberturas duplex, têm a nobreza de atirar migalhas à população faminta, contanto que não toquem na lataria de seus belos possantes.
Então, meus caros, recubramo-nos de culpa por desconfiar de tão nobres seres humanos, que não seriam capazes de atentar contra o sigilo do mercado. Afinal, qualquer um pode ter uma visão parapsicológica, e a partir dela direcionar seus investimentos. Também é perfeitamente possível que isso aconteça a dezenas de investidores ao mesmo tempo. Essa é mais uma qualidade destes digníssimos seres. O mundo é assim.
Escrito por Joselicio Junior às 16h42
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Conversa de bêbados
por Bruno Silva
Essa visita do presidente americano e rei do mundo George W. Bush não renderá muita coisa. Lula deseja falar sobre livre comércio. Quer que os EUA derrubem as taxas protecionistas que prejudicam as exportações do etanol brasileiro – que, sem elas, levaria vantagem mesmo com o real em alta. Bush quer falar de outras coisas, de influência política no continente, de Chávez. Quer que o Brasil se oponha à Venezuela, seja agente do imperialismo estadunidense na América do Sul. Lula não quer falar disso. E Bush não quer falar daquilo. Enfim, ninguém se entende.
Enquanto conversam, o exportador brasileiro de etanol que quiser vender aos EUA tem que pagar uma taxa de exportação que inviabiliza o fluxo, enquanto o produtor americano, que extrai o insumo do milho, recebe incentivos fiscais. Obviamente, o que Lula quer é ganhar pontos com os latifundiários da cana, representantes da classe que verdadeiramente manda nesse país. Mas Bush não quer saber de tarifas, ele quer é que o Brasil ajude a construir uma imagem de líder preocupado com a América Latina. E neutralizar Chávez e seus petrodólares. Acuado pelas pressões do Irã e da Venezuela – grandes exportadores de petróleo –, Bush vê nos biocombustíveis uma saída para diminuir a dependência econômica de seus inimigos. Cabe lembrar que os EUA são o país que mais importa petróleo no mundo.
Reportagem da revista britânica The Economist mostra que, nos EUA, cada litro de etanol produzido consome o equivalente a 75% da energia que esse litro vai prover a um automóvel. Já no Brasil, com álcool da cana, esse consumo é de 12%. Enquanto isso, Lula, que não quer saber de Venezuela, sorri, acena, posa para fotos, abraça o yankee; que não está ligando muito para o ex-sindicalista e ex-esquerdista. O que Bush quer é infra-estrutura, tecnologia, para que seus fazendeiros possam produzir mais e atender a demanda local. Ou seja, quer fazer o mais difícil. E fica assim. Bush só olha para seu umbigo sujo imperialista xenófobo, enquanto Lula quer melhorar sua credibilidade e contar para todo mundo que fez uma pela economia brasileira. Bush diz “me ensina”, Lula responde “não, deixa que eu faço aqui e mando pra você”. “Então não”. “Então tá bom”. “Ah, mas eu preciso”. “Não vai dar”. “Então não dá”. “Mas tem que dar”. Papo sem nexo, coisa de quem abusou do álcool.
Texto elaborado por Bruno Silva
Escrito por Camila às 21h56
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Alegria tipo-exportação
O batucar dos tambores encobre com seu véu de encanto, por um instante, o que se poderia chamar realidade. Nos jornais perdem espaço as notícias sobre crimes, sobre corrupção, sobre epidemias. São páginas e mais páginas repletas de bateria, alegoria, samba-enredo, "schindô-schindô". Dedinhos pra cima e pra baixo, marchinhas e marchões. "Ô abram alas, ele quer passar", afinal "essa coisa de riso e de festa, só tem aqui".
Nada de problemas, de dívidas, de castidade, de pudores, de repressão de vontades. Por favor, dê-me um tamborim! Vou vestir minha fantasia de Carmem Miranda.
No carnaval de fantasias, mascarados demonstram o que de mais profano existe em cada um dos nossos eus. E estes eus, desprendidos dos abismos do concreto, mostram-se reais a um espelho de surrealidade. A crueldade de um sentimento impuro, que não sente, apenas acompanha a marchinha, o samba, a folia, o ziriguidum.
"Ziriguidundeando", passo a passo com a festa, entre beijos, multiplicações de refrões, sensações à flor da pele, deixo-me levar no pano da jangada. O que importa é que hoje é carnaval, seja globeleza ou não. O globo terrestre gira, enquanto o Brasil pára. Pára na frente da tv, pula atrás do trio ou dos carros alegóricos. Curte embaixo de sombrinhas ou à espera do homem da meia-noite. Pena que tamanha felicidade vire cinzas, na quarta-feira.
É lindo ver a alegria tipo-exportação do brasileiro.
Escrito por Camila às 14h00
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Uma charge é tudo! Não preciso falar mais nada!
Fora Bush!!!

charge extraída da agência do Brasil de Fato
Escrito por Joselicio Junior às 19h35
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Sou uma paulistana filha, com orgulho, de pais nordestinos. Minha avó paterna é branca... Meu avô materno era o que no nordeste se chama de sarará: Aquele que é louro, dos olhos azuis, no entanto, tem os cabelos bem crespos... Minha avó materna é negra, meu avô paterno também...
Darcy Ribeiro em seu livro "O Povo Brasileiro" cita as três matrizes étnicas que deram origem ao brasileiro: Índios, negros e portugueses. Com o passar do tempo começamos a receber imigrantes do mundo todo. E todos contribuíram assim para nos formarmos tal qual somos hoje.
Lembro-me que no colégio (e isso se repete ainda hoje, no trabalho, na faculdade), as pessoas se orgulhavam em dizer que descendiam de russos, poloneses, japoneses, italianos... Lembro-me também que grande parte dos alunos da sala tinha pais nordestinos. Alguns até pareciam pular uma etapa de sua história, dizendo, por exemplo, que descendiam de holandeses ou franceses, sem ao menos citar que os pais vieram de Pernambuco.
Ter preconceito no Brasil é algo tão comum que as pessoas nem se dão conta de que de fazem uso dele. Como diz um amigo meu: "É uma prática social ser preconceituoso". E é mesmo. Expressões como "Tá vestido como um baiano" ou "Tinha que ser um cabecinha chata!" saem da boca de muitos, mecanicamente. Assim acontece com piadas, com conversas de bar, com as risadas que sairão espontaneamente quando alguém ler as frases acima e se der conta de que já fez isso antes, sem perceber.
Óbvio que não é só através de comentários pseudo-inocentes que se faz o racismo brasileiro. Muito pelo contrário. Ele está presente nas empresas, nas escolas, na mídia. Mora nas altitudes das favelas e é assistido pela televisão da nobreza. É cruel e se propaga de tal forma, que nas novelas o corriqueiro é ver empregadas negras ou chamadas Severina. A rotina também é a hipocrisia, já que abrir espaço para as “minorias maiorias" é considerada responsabilidade social.
E este comportamento é antigo, tanto quanto os algozes da biografia tupiniquim. O invasor se multiplicou através dos buchos negros e indígenas e os frutos desta multiplicação, os mamelucos, se bandearam para o lado do algoz, ajudando-os a dizimar, oprimir e escravizar quem também os gerou. Os miscigenados bandeirantes e capitães do mato, tidos pela história como heróis, na verdade, foram os primeiros expoentes desta cultura de preconceito. Eles alcançaram o “status” branco, dado por brancos já não tão brancos assim. Esqueceram-se de um lado de sua origem e são lembrados até hoje, graças aos monumentos suntuosos espalhados por praças e espaços públicos, mesmo tendo exterminado integrantes fundamentais da nossa história.
Etnia Caduca
Lenine
É o camaleão diante do arco-íris
Lambuzando de cores os olhos da multidão
É como um caldeirão misturando ritos e raças
É a missa da miscigenação
Um mameluco maluco
Um mulato muito louco
Moreno com cafuzo
Sarará com caboclo
Um preto no branco com sorriso amarelo, banguelo
Galego com crioulo
Nissei com pixaim
Curiboca com louro
Caburé com curumim
É o camaleão diante do arco-íris
Na maior muvuca.
Ô Etnia caduca!
Escrito por Camila às 20h11
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Tinha que ser o Chávez de novo!
Por Bruno Silva
O jargão de seriado mexicano traduziria bem o sentimento das elites americanas e da mídia burguesa local para com Hugo Chávez. “Superpoderes” foi a palavra utilizada na imprensa brasileira para descrever a condição do presidente venezuelano, que governará por decreto pelos próximos 18 meses. “Todo poder aos Sovietes” foi a palavra de ordem dos soviéticos da geração de Lênin. Todo poder a Chávez? Mais ou menos. A situação que se desenrola na Venezuela é bem diferente da Rússia do início do século XX; mas, guardadas as devidas proporções, algo está acontecendo – e disso não há dúvida. O poder que os petrodólares provêm é uma ótima garantia, e a legitimidade que o apoio popular confere a Chávez é uma segurança. Vamos em frente! Que venha o socialismo, seja do século XXI ou de que tempo for. Não nos deixemos levar pelos algozes capitalistas que tanto mal nos querem. Lutemos contra essa maldita elite econômica. Vamos incomodá-los, irritá-los. Isso, isso, isso...
Publicado Por Bruno Silva
Escrito por Joselicio Junior às 21h12
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Publicado por Bruno Silva
Escrito por Joselicio Junior às 21h10
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O jornalismo entre deveres éticos e as necessidades do mercado.
Apenas cifras e zeros
Exercer a liberdade de expressão e ter um compromisso inabalável com a verdade, com certeza, deixaram de ser os únicos objetivos do jornalismo atual. O crescimento da indústria da propaganda vem fazendo com que a notícia, base principal do trabalho jornalístico, seja deixada em segundo plano, para satisfazer os desejos dos anunciantes e dos meios nos quais seus anúncios são publicados.
Manter-se informado é algo imprescindível em nossa sociedade, no entanto, está cada vez mais difícil ler o jornal do dia sem ser bombardeado por diversos anúncios. Na televisão não é diferente: Os noticiários, essencialmente os esportivos, vêm se transformando num verdadeiro “shopping center”, onde é possível ver propagandas que variam entre chuteiras e cervejas, sendo intercaladas com um comentário ou outro sobre esporte.
È óbvio que, em toda regra, há uma exceção e que nem toda a imprensa jornalística se atém a interesses meramente comerciais. Contudo, para a grande maioria, as cifras e os zeros de uma boa quantia em dinheiro continuam sendo mais vantajosos do que uma reportagem sobre um grande anunciante. Ou seja: É mais fácil encobrir uma grande falcatrua do que suportar as conseqüências de uma denúncia.
O jornalismo utópico, onde se corre atrás de um furo de reportagem como se fosse a coisa mais importante do mundo, como o próprio nome diz, é difícil de ser posto em prática, já que um jornal não é feito apenas com fatos, bons profissionais e boa vontade. No entanto, não se pode esquecer que cabe ao público decidir o que vê, o que lê e o que ouve. O lucro, mantenedor do sistema capitalista, deveria ser deixado em segundo plano. Não necessariamente ser descartado. Afinal, se um meio de comunicação fosse requisitado apenas para que se pudessem ver anúncios, muito mais útil seria, ao consumidor de notícia, assinar, ou comprar diariamente, um folheto de supermercado.
Escrito por Camila às 17h34
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VII FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Nairobi - Quênia

Acompanhe a cobertura do Fórum Social Mundial
Agência Carta Maior
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/index.cfm?home_id=74&alterarHomeAtual=1
Ciranda Afro
http://www.ciranda.net/spip/
Ibase
http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=1663
Escrito por Joselicio Junior às 17h01
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Charge publicada no Brasil de Fato
http://www.brasildefato.com.br
Escrito por Joselicio Junior às 16h01
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Caprichoso ou Garantido?
Por Bruno Silva
Enquanto se acirra a disputa pela presidência da Câmara dos deputados, fica cada vez mais evidente quem é que vai perder nessa: O contribuinte. Aldo Rebelo, “comunista”, queridinho da oposição, era o nome mais cotado para o cargo, que já ocupa atualmente. Isso antes do lançamento da candidatura de Arlindo Chinaglia, que articulou-se do PT, e conquistou a simpatia do PMDB e, pasmem, até do PSDB.
Acontece que os dois principais candidatos à terceira posição na ordem de sucessão presidencial são apoiados tanto pelo governo como pela oposição, tanto pela “esquerda” como pela direita. Qual o plano de gestão, proposta ou mesmo promessa de campanha dessas duas figuras? Eu não sei. Não se debate, não se comenta, não se fala a respeito. Essa eleição tornou-se mera negociação. O melhor negociador ganhará. Articulações políticas envolvem ideologia, devem ser mais do que mera troca de cargos e favores.
Ontem (16/jan), o PSDB lançou um “anticandidato”, o deputado Gustavo Fruet (PR). Suas expectativas não são boas, já que seu próprio partido, com 66 cadeiras na Câmara, está dividido entre apoiar o candidato do próprio partido ou o petista. Se conseguir os 66 votos, já será uma vitória para Fruet (levará Aldo e Chinaglia a disputar um segundo turno). A sensação que fica é que não há muita diferença. Candidatos genéricos sem ideal nenhum por trás. Vermelho ou azul. Caprichoso ou Garantido.
* Este texto foi escrito pelo nosso novo colaborador Bruno Silva
Escrito por Joselicio Junior às 17h31
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